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22/10/2008 - 00:00
Um rosto para Esperança Garcia |
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Fui procurado por jovens alunas do Colégio Cemopi que queriam saber a respeito de algum retrato que porventura houvesse da escrava Esperança Garcia, que escreveu a famosa carta datada de 06 de setembro de 1770 e dirigida ao Governador da Capitania do Piauí. A Carta, que sobreviveu a ela, a seu sofrimento, a seus filhos e a seus algozes, assume particular importância porque é um documento único e decisivo: o seu passaporte para a História. Mas um passaporte sem retrato. Disse às jovens que não havia qualquer foto – inclusive porque a fotografia ainda não havia sido descoberta – ou ilustração que revelasse o seu verdadeiro rosto, visto que apenas os nobres tinham, naquela época, o privilégio de serem retratados por artistas.
Conversando, posteriormente, com o Dr Bill (Carlos Rubem) e em uma troca de e-mails com o professor Luiz Mott (que foi quem encontrou o importante documento) concordamos, os três, que seria importante obter, através de um Concurso Público, uma imagem que pudesse ser atribuída à Escrava que se dava foros de cidadania. Porque, além da referência iconográfica, um concurso dessa natureza acaba difundindo, ainda mais, esse episódio, por todos os títulos, dignificante para a humanidade como um todo.
É importante lembrar que, por força da Lei nº 5.046, de 07 de janeiro de 1999, ficou instituído o 06 de Setembro como sendo o “Dia Estadual da Consciência Negra”.
O Professor Luiz Mott, em memorável entrevista concedida ao “Portal do Sertão”, revela:
“Esperança Garcia foi uma escrava moradora numa das dezenas de fazendas que com a expulsão dos Jesuítas, passaram para a administração governamental, e que em 1770 escreveu uma carta ao Governador do Piauí denunciando os maus-tratos de que era vítima por parte do feitor da fazenda. Salvo erro, é a segunda carta mais antiga até agora conhecida no Brasil manuscrita e assinada por uma escrava negra, e que revela não só os sofrimentos a que estavam condenados os cativos, como o fato de já nos meados do Século XVIII haver mulheres negras alfabetizadas e suficientemente “politizadas” para reivindicar seus direitos e denunciar às autoridades os desmandos de prepostos mais violentos. Além da felicidade de ter descoberto documento tão importante e raro, minha alegria foi maior ainda quando, anos depois, esta negra, até então desconhecida, passou a simbolizar o ideal de liberdade dos negros do Piauí: foi dado o nome de Esperança Garcia a um hospital em Nazaré do Piauí, em Teresina há o Coletivo de Mulheres Negras “Esperança Garcia” e o dia em que ela datou sua carta, 6 de setembro, passou, por lei, a ser comemorado o Dia Estadual da Consciência Negra. Para um historiador é a gloria ter um seu “personagem” ressuscitado e elevado a tantas homenagens dois séculos depois de sua morte”.
A CARTA
"Eu sou hua escrava de V. Sa. administração de Capam. Antº Vieira de Couto, cazada. Desde que o Capam. lá foi adeministrar, q. me tirou da fazenda dos algodois, aonde vevia com meu marido, para ser cozinheira de sua caza, onde nella passo mto mal.
A primeira hé q. ha grandes trovoadas de pancadas em hum filho nem sendo uhã criança q. lhe fez estrair sangue pella boca, em mim não poço esplicar q. sou hu colcham de pancadas, tanto q. cahy huã vez do sobrado abaccho peiada, por mezericordia de Ds. esCapei.
A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confeçar a tres annos. E huã criança minha e duas mais por batizar.
Pello q. Peço a V.S. pello amor de Ds. e do seu Valimto. ponha aos olhos em mim ordinando digo mandar a Procurador que mande p. a fazda. aonde elle me tirou pa eu viver com meu marido e batizar minha filha q.
De V.Sa. sua escrava Esperança Garcia”
Sugestões do Luiz Mott 2
Sugestões do Luiz Mott 1
outras sugestões Debret
A palavra do Professor Luiz Mott:
“Joca e Bill
Excelente iniciativa! Seguem alguns “retratos” antigos de negras que podem servir de inspiração quanto ao cabelo, pano na cabeça, roupas. Zumbi e Escrava Anastacia são pinturas modernas, idealizadas.
Gostaria apenas de sugerir que o rosto de Esperança Garcia seguisse o mesmo modelo do suposto rosto de Zumbi dos Palmares, do tipo 3 por 4 (só busto).
Como ela era crioula, nascida no Brasil, devia usar vestido ou blusa, provavelmente branco de algodão, não deve ser retratada com os seios à vista, pois diz ser católica. Certamente não usava cabelo trançado, nem turbante, talvez um pano na cabeça. Pelo visto ela tinha um filho pequeno e uma filha ainda não batizada, talvez fosse ainda bem jovem, uns 20 anos. Resumindo minha sugestão para o “retrato” de Esperança Garcia: Jovem negra, cabelo curto ou pano na cabeça, camisa decotada branca, olhar altivo mas sofrido pelos maus tratos.
Cordialmente,
Luiz Mott
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Gostei Joca, vamos usá-la. Beijos ,Shara
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SHARA
em 23/10/2008 - 01:04
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Excelente idéia, Joca! Toca a idéia pra frente... Abraços.
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Rosa Magalhães
em 23/10/2008 - 10:21
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Foi uma experiência tocante ler a Carta de Esperança Garcia pela primeira vez, não só por sua palavras sofridas, mas especialmente quando a situamos no contexto em que foi escrita. Mas triste ainda é que só a pouquíssimo tempo tive conhecimento de sua história e que não conheço mais ninguém de meu círculo de amizades que a conheça. Aproveito para fazer "a pergunta que não quer calar" há muito tempo: Esperança Garcia obteve alguma resposta???
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KEULA
em 23/10/2008 - 13:35
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Querida Keula
Embora a História – afinal a carta foi um achado único – não contemple a sua resposta, pelo que conheço da Hstória da Escravatura no Brasil, o mais provavel é que a resposta tenha sido Mais Porrada e Mais Cacetada. Por mais que a Esperança achasse o contrário, escravos não eram sujeitos de direitos no Brasil. Aliás, ainda hoje, mais de cem anos após a abolição da escravatura, a maioria da população brasileira não exerce a sua plena cidadadania, para dizer o mínimo. Esperança Garcia, ainda hoje, seria uma vanguardista, isto precisa ser dito! Ou vocè vê todo dia pais e mães de família peticionando seus direitos?
beijos e abrvh
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Joca Oeiras
em 23/10/2008 - 15:34
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Existe uma estátua da Esperança Garcia no Centro de Artezanato Mestre Dezinho. O artista que a fez provavelmente deve ter feito alguma pesquisa. Devemos consulta-lo.
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Pedro Alberto
em 26/10/2008 - 17:17
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Bela iniciativa!
Através do Portal Mural da Vila e da Coluna de Oeiras no Portal 180 Graus, estamos juntos ao Portal do Sertão neste projeto.
Abraços!!
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Lameck Valentim
em 27/10/2008 - 13:11
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Mais do que justo, o nosso verdadeiros icones serem lembrados, e resgatados, no sdo movimento hip hop estaremos juntos nessa batalha...
grande salve Joca...
Hespirando Hip Hop..
gil bv
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Gil BV
em 01/11/2008 - 19:46
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Esperança Garcia só comprova o importante papel da mulher na história. Como pode a história ter tido seu foco sempre tão voltado para os heróis de calça?
Encontrar o rosto da Esperança pode simbolizar a remissão da história no que diz respeito à participação das mulheres, e o seu reconhecimento.
Mulher, mostra a tua cara!
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rosa melo
em 20/11/2008 - 17:54
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Bom primeiramente quero agradecer aos portadores dessa noticia, é muito importante aprendermos algo desse tipo que retrata uma coisa passada mais de tão quanto valor que no presente. coisas desse tipo é que nos enriquecem de conhecimentos.
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gilmarcos
em 08/01/2009 - 09:14
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Parabenizar a Fundação Nogueira Tapety pela divulgação da história da escrava Esperança Garcia. Precisamos muito conversar a respeito da Escrava Esperança Garcia, uma sofredora nascida na Fazenda Algodões - municipio de Nazaré do Piauí.
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Tio Borges
em 09/03/2009 - 14:24
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Mesmo sem ter conhecimento de Esperança Garcia, adorei a reportagem. Por tudo isso que lemos sobre os negros no Brasil, avaliamos todo sofrimento pelo qual passaram nossos queridos compatriotas. Que Deus tenha reservado para eles, uma Pátria mais justa e mais humana
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Maria Inez Advincula
em 28/07/2009 - 18:13
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Gostei muito da historia da escrava Esperança Garcia. O que me chamou atenção foi a escrita da carta, muito rara pra época e a coragem de dirigir a um governate. grande abraço do chaguinha.
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Chaguinha da Fazenda
em 28/10/2009 - 22:40
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