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Representada pelo vereador Miguel Ângelo Gonçalves Reis, Oeiras marcou presença de na Sessão Solene comemorativa dos 250 anos de vida administrativa autônoma do Piauí, ocorrida na última 5ª feira, 08 de outubro, no plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Piauí.
Requerida pelo Presidente daquela Casa Legislativa, Deputado Temístocles Filho, a Sessão Solene também foi aberta por ele, que convidou para comporem a mesa de honra, além do citado vereador oeirense, o vice-governador Wilson Martins, os Deputados Luciano Nunes, Secretário Municipal de Administração de Teresina, e Assis Carvalho, Secretário Estadual de Saúde, o escritor Paulo Nunes e o historiador Fonseca Neto. O vereador Miguel Ângelo foi o primeiro a se utilizar da palavra (veja, abaixo, o inteiro teor da sua fala) com um discurso muito elogiado e várias vezes citado pelo professor Fonseca Neto, que falou em seguida, passando a fazer um relato da história do Piauí, citando que desde a sua criação, o Estado já contou com 162 governadores. “Cada um agregou um tijolo ao desenvolvimento do nosso Estado”.
O vice-governador Wilson Martins, que falou no encerramento da sessão solene, disse que o Piauí vive um momento feliz “e tem muito que comemorar em seus 250 anos”. Lembrou que o Piauí cresceu com a criação de gado no período de sua colonização. “A nossa pecuária agora está sendo retomada, a nossa bacia leiteira vem sendo revitalizada e a qualidade do nosso rebanho melhora a cada dia”.
Integra do discurso pronunciado pelo Vereador de Oeiras, Miguel Ângelo Gonçalves Reis ao ensejo das comemorações dos 250º aniversário da posse do primeiro Governador do Piauí (20-09-1759), em Sessão Solene ocorrida na Assembléia Legislativa do Estado do Piauí, no dia 08 de outubro de 2009
Exmo. Sr. Deputado Themístocles Filho, Presidente da Assembléia Legislativa do Piauí;
Exmo. Sr Vice-Governador Wilson Martins, Nobres Deputados Luciano Nunes, Secretário Municipal de Administração de Teresina, e Assis Carvalho, Secretário Estadual de Saúde, ilustres mestres Paulo Nunes e Fonseca Neto, senhores deputados e demais autoridades aqui presentes,
Minhas senhoras, e meus senhores!
Foi com muito orgulho e indescritível satisfação, mas também com um sentimento de profunda responsabilidade, que recebi o honroso convite, para representar a minha Oeiras nesta solenidade em que o Piauí comemora os seus 250 anos de vida administrativa autônoma.
Não me sentiria bem, e creio que todos nessa Casa Legislativa hão de concordar comigo, se não me reportasse ao brilhante texto publicado no jornal Diário do Povo, datado de 20 de setembro último, pelo emérito professor Fonseca Neto. Foi ele quem primeiro, nos lembrou a todos da importante efeméride ocorrida naquela data, em 1759. E o fez com uma riqueza de detalhes que faz com que qualquer menção ao fato histórico acabe por render tributo àquele artigo. Tentaremos, no entanto, no que for possível, não ser puramente repetitivo, um eco repercutindo as pesquisas do aludido mestre.
Por dever de ofício, o citado professor teve o cuidado de contar, um por um, todos os 162 cidadãos que governaram o Piauí. A nós, no entanto, embora constem dessa lista inúmeros oeirenses ilustres, não interessa procurar estes detalhes. Basta-nos realçar a figura emblemática de Manoel de Souza Martins, o Visconde da Parnaíba, o verdadeiro proclamador da “Adesão do Piauí à Independência do Brasil” e do atual governador Wellington Dias, outro oeirense que muito nos honra.
Não seríamos, também, verdadeiros, se disséssemos que, entre todos estes governantes nenhum deles desagradou os oeirenses. Houve sim um que, até hoje amarga a nossa memória. O Conselheiro Saraiva que, em 1852, num arroubo de juventude, retirou, do dia para a noite, a Capital do Piauí de Oeiras para Teresina. Só para se ter uma idéia da violência da medida, um verdadeiro abuso do poder político ocasional o Liceu Piauiense, única escola em funcionamento da Velha Capital foi, pura e simplesmente. transferido para a nova sede do governo provincial, ficando Oeiras, por vários anos, sem um local onde seus filhos pudessem estudar. Nada contra Teresina, é bom que se esclareça, a capital de todos os piauienses. No entanto, qualquer um que possa constatar o absoluto abandono a que ficou relegada a antiga capital – escola , como disse, extinta, Hospital e Cadeia levados à total ruína e destruição – não poderá deixar de indignar-se.
Noventa e três anos em Oeiras, cento e cinqüenta e sete anos em Teresina: assim se resume a localização administrativa autônoma da Capitania, depois Província e, hoje, Estado do Piauí.
Passaram-se, portanto, duzentos e cinqüenta anos de história desde que, em 20 de setembro de 1759, o Coronel de Cavalaria João Pereira Caldas foi solenemente conduzido ao Senado da Câmara da então Vila da Mocha para tornar-se o primeiro Governador da Capitania do Piauí,
Quando de sua posse, aquele militar se achava credenciado por inúmeros serviços prestados à Coroa Real Portuguesa tanto na Corte como na Capitania do Grão-Pará, onde exercera um alto cargo administrativo, sua última missão antes de assumir a tarefa de constituir a nova unidade administrativa. Aliás, é de salientar que, com Caldas, vieram os ancestrais afro-descendentes do hoje, nacionalmente famoso, grupo folclórico “Congos de Oeiras”, tradição secular que enche de orgulho todos os nossos munícipes.
Durante sua gestão, que durou quase dez anos, foi o responsável pela descentralização administrativa consubstanciada na criação de seis Vilas: Jerumenha, Marvão (hoje Castelo do Piauí), Campo Maior, Valença, Parnaguá e Parnaíba. Coube-lhe expropriar as afamadas fazendas mafrensinas então administradas pelos jesuítas que, por determinação reinol, foram, por ele, expulsos do território piauiense. A 19 de junho de 1761, Caldas elevou ao predicamento de cidade a Vila da Mocha, que passou a ser chamada de Oeiras, em homenagem ao todo poderoso Primeiro Ministro de Dom José I, o Marquês de Pombal, que anteriormente ostentava o título de Conde de Oeiras. Em 1762, realizou, de maneira pormenorizada, o primeiro censo demográfico que se tem notícia no Piauí.
A um oeirense é pertinente lembrar, também, que o primeiro governador do Piauí foi um homem devotado à cultura: Erigiu, em Belém do Pará, o Teatro de Ópera e é citado como o principal promotor da famosa “Viagem Filosófica” do naturalista luso-brasileiro, Alexandre Rodrigues Ferreira.
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Pedimos licença a todos para, neste momento, operar uma comparação bastante cabível aproximando desta uma outra data, tão ou mais cara aos oeirenses, a saber, a criação, em 02 de março de 1697, a mando do Bispo de Olinda, Dom Frei Francisco de Lima, da Freguesia do Brejo da Mocha, com a entronização, pelo Padre Miguel de Carvalho, da imagem de Nossa Senhora da Vitória, santa que viria a ser, mais tarde, a Padroeira de Oeiras e do Piauí. Se uma marca a autonomia administrativa do Piauí, a outra delineia a própria invenção do espaço geopolítico mafrensino.
Se comparo, neste momento, aquelas duas datas, fiquem certos, não é para demonstrar sabedoria, mas porque existem hoje muitos oeirenses preocupados e, mesmo, aflitos com o fato de que a primitiva imagem de Nossa Senhora da Vitória, aquela mesma imagem seiscentista trazida pelo Padre Miguel de Carvalho nos idos de 1697 encontra-se, já há muitos anos, em Teresina, na casa da viúva do Professor Leopoldo Portela (antigo Vigário-Geral de Oeiras), como registrou o jovem historiador Júnior Vianna em artigo publicado em diversos portais noticiosos e, inclusive, no jornal Meio-Norte. Sensível a estas preocupações o vereador que vos fala, no legítimo exercício de seu mandato, apresentou, dias atrás, requerimento no sentido de que a Câmara Municipal de Oeiras oficiasse aos poderes públicos municipal, estadual e federal solicitando providências quanto ao retorno da referida santa ao Museu de Arte Sacra da antiga capital do Piauí, local do qual nunca devia ter saído. O supracitado requerimento veio a ter sua tramitação negada pelo presidente daquela edilidade, o vereador Antônio Portela Sobrinho que conseguiu “ver” inconstitucionalidade num ato de defesa do patrimônio histórico–cultural da formação da nacionalidade brasileira.
Acredito que minha presença neste parlamento perpassa o sentimento cívico da geratriz do Piauí, Oeiras. Espero que represente o bom senso de todos os citadinos do Piauí afora, mormente nesta difícil quadra financeira que atravessamos. Quero chamar a atenção das autoridades constituídas, da imprensa e da população em geral para que as ações administrativas sejam levadas a efeito de forma equânime a todos os rincões do Estado do Piauí, fomentando o seu desenvolvimento de forma planejada, respeitando as nossas diversidades econômicas, sociais e culturais. Mais do nunca há de prevalecer a unidade piauiense que tanto nos distingue e motiva a trabalhar pelo seu engrandecimento e assim olvidar o divisionismo alardeado por poucos, açodadamente.
Trago, pois, a voz do povo oeirense que sempre esteve presente em todos os grandes acontecimentos desta Terra Querida!
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