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19/07/2010 - 00:00
Carta das Meninas

Transcrevemos, abaixo, carta enviada pela FNT ao reitor da Uespi



Oeiras, 13 de julho de 2010



Magnífico Reitor da UESPI
Professor Carlos Alberto Pereira da Silva



Em 24 de Janeiro de 2006, quando, em Oeiras, aconteciam as comemorações em regozijo da Adesão do Piauí ao Grito do Ipiranga (1823), cópias de uma carta endereçada ao então governador Wellington Dias foram distribuídas entre os participantes daquela festa cívica.

A carta, cujo inteiro teor transcrevemos abaixo, era assinada pelas integrantes do grupo musical “Bandolins de Oeiras” e, nela, as “meninas”, como são, carinhosamente, chamadas, reivindicavam bons ofícios do governador no sentido da criação de um Curso de Música no “Campus Possidônio Queiroz” da Universidade Estadual do Piauí - UESPI. Em seu conteúdo a missiva mantém, até hoje, sua atualidade, pois, lamentavelmente, nada foi feito, de lá para cá, neste sentido.

Por concordar com as nossas bandolinistas que, aliás, em sua reivindicação, falavam em nome da sociedade oeirense, a Fundação Nogueira Tapety - FNT dirige-se a V. Sa. para, em seu nome, reafirmar o pedido consignado na

Carta das Meninas

Oeiras, 24 de janeiro de 2006

Querido governador Wellington Dias

Como milhares de outras mulheres nós somos donas de casa, mães e avós vivendo a chamada “terceira idade”. Há, no entanto, algo que nos distingue da maioria: nós somos musicistas e o nosso trabalho já foi reconhecido internacionalmente. Recebemos recentemente, das mãos do presidente Lula, e o amigo governador estava presente, a maior comenda da República no âmbito cultural. Então nós somos muito felizes por estarmos realizando coisas importantes numa idade que as pessoas costumam caracterizar como “esperando a morte”. Nós sabemos que o nosso som transmite amor pela vida, paz, alegria, felicidade. E temos muito orgulho de tudo o que temos feito e agradecemos a Deus por nos permitir fazê-lo.

Mas também sabemos, caro amigo, que o grupo “Bandolins de Oeiras” só pôde existir porque também existiam condições culturais em Oeiras que nos proporcionaram formação musical. E quando falamos neste nosso período de formação é impossível e seria profundamente injusto deixar de citar o nosso querido Professor Possidônio Queiroz, ele mesmo também maestro e compositor, além de intelectual humanista da maior envergadura. A nossa formação, sem dúvida, se deve muito a ele.

Infelizmente o professor Possidônio não se encontra mais entre nós. Poucas são as famílias que se reúnem para um sarau musical. A novela das oito impera soberana nos lares oeirenses.

Os nossos feitos musicais, temos certeza, enchem de orgulho os oeirenses. Para além disto, aumentam a nossa responsabilidade perante os nossos concidadãos!

E é justamente em nome desta responsabilidade que nos dirigimos a V.Exa. para pleitear a criação de um Curso de Música no campus Possidônio Queiroz, da UESPI de Oeiras. Porque achamos que a vida, dádiva de Deus, foi muito generosa conosco e que a musicalidade, dom divino, pode e deve ser aperfeiçoada com dedicação e conhecimento não podemos nos furtar de pedir, para os que aqui habitam, esta oportunidade de ampliar e sedimentar conhecimentos musicais de alta relevância. O ensino da música em Oeiras é como plantar uma boa semente em solo fértil: certamente se colherão bons frutos!

Certas de poder contar com sua estima, atenção e consideração ao nosso pleito despedimo-nos, oeirensemente.

Maria do Rosário Lemos, Lilásia Freitas, Maria José Ferreira, Petronila Amorim e  Antonieta Maranhão.”


A FNT orgulha-se de empunhar essa bandeira que teve, na sua vanguarda, tão ilustres e respeitadas oeirenses. O tempo decorrido em nada deformou a legitimidade da aspiração, muito menos a disposição de dar prosseguimento à luta. Esperamos sensibilizá-lo, a V. Exa. e a todos quantos, dentro e fora da UESPI, tenham participação nessa decisão.

Sertanejamente,


                                              Carlos  Rubem  Campos  Reis
                                                        Presidente de FNT

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