Por Edna e Edvaldo Nascimento
O Nós e Elis foi um marco na nossa cultura, onde as manifestações das mais variadas tendências ali eram realizadas. A programação começava com a quarta poética e ia até sábado com musica ao vivo da melhor qualidade, MPB, preferencialmente pelo nome do espaço já dava pra sentir o clima. O proprietário Elias Prado Jr era louco por nossa cantora maior: Elis Regina, mas também era uma figura aberta a outras propostas e como ele mesmo dizia, “a casa é sua”. Nessa época, o clima era de abertura política; a volta do exilados, o fim da censura e começando o rock’n roll dos anos oitenta com Barão Vermelho, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos e por ai vai... Nessa praia foi que eu construí um repertório específico para aquele espaço, no meio dos RPMs da vida. Eu colocava as minhas canções que às vezes eram confundidas com as outras bandas nacionais que faziam sucesso nas Fms. E com isso, agradava bastante!!! Para dar o tom de rock’in rool ao barzinho, só de gozação... nós costumávamos chamá-lo de “Nós e Elvis”: brincadeira com o Elias.
Tivemos muitas passagens legais no bar “Nós e Elis”...Numa noitada estava tocando com minha banda e quando olho na platéia vejo a figura de, nada mais nada menos do que uma das melhores atrizes brasileiras: Regina Duarte. Ela estava no auge na Rede Globo e ficou encantada com o nosso som. Viera ao Piauí a trabalho e, aqui, juntou-se ao Arimathan Martins que era seu conhecido de teatro lá no Rio de Janeiro. Esse contato com piauienses resultou um carinho especial pela nossa música e pelo nosso estado. Essa noite foi uma festa! Todos os artistas presentes, quem estava por lá foi convidado por mim para dar um canja em homenagem à nossa grande atriz. Dá pra imaginar a loucura que foi. A frente do bar, uma área grande que servia de estacionamento foi pequena para os populares, assim como a praçinha, ao lado. Tudo virou um único espaço.
Edvaldo Nascimento
O que sei e gostaria que fosse dado crédito é que o´Nós e Elis foi o espaço Cultural mais democrático que Teresina já teve.
"Fui frequetadora do Nós e Elis durante a sua existência. O Nós...era a referência dos intelectuais, estudantes, artistas e cumpriu um papel importante no processo de redemocratização do país. O fato de ficar perto da UFPI era parada obrigatória depois das aulas, debates, eventos, seminários. Era para lá que iamos conversar sobre a conjuntura nacional, a luta pelas Diretas jà, a primeira eleição direta em para presidente em 89. O fato do Elias Prado ser um homem engajado e politicamente progressista fazia do Nós e Elis aquele lugar que lembrava os que partiram num "rabo de foquete", o bêbado com chapeu torto, o Brasil que sonhava com a abertura política. Ao lado desse verve política, o Nós e Elis, fazia da arte piauiense um espaço de afirmação e por lá várias tribos circularam. Foi no Nós e Elis que conheci o Edvaldo Nascimento, cantando Minas e Minas. Ele estava recem-chegado do Rio de Janeiro e um dia, quando eu estava com um grupo por lá, ele me disse para eu ficar atenta que ele ia cantar uma música pra mim e cantou. A partir daí ficamos ligados. Estamos casados desde 87. O Nós e Elis, que a princípio foi pensado para ser esse espaço de MPB mais tradicional virou um point de música pop da melhor qualidade. Falar do Nós...sem citar o repertório pop dos anos oitenta que incluia os artistas locais e as feras do rock nacional, pode não retratar tão bem o Nós.... Por lá ouviamos Lobão, Kid Abelha, Titãs, Engenheiros, Capital Inicial, Kid Vinil, Paralamas, música instrumental. Edavaldo, Boy, Machado Jr, Roraima e tantos
Edna Nascimento