APELO AO GOVERNADOR WELLINGTON DIAS
Oeiras, 28 de março de 2007
Sr. Governador Wellington Dias Em Campinas do Piauí, o edifício que abrigou a “Fábrica de Laticínios dos Campos” encontra-se destelhado em aproximadamente 50% de sua área de cobertura. Uma obra emergencial – saudada no início, por todos, como um resguardo para quando, finalmente, chegasse o Carnaval da Restauração – paralisada, pode estar revertendo em seu contrário: um agente ativo do definitivo arruinamento daquele ícone sertanejo, principalmente em face do período chuvoso que vivemos.
Faltam cerca de 15 mil telhas para terminar o serviço. O empreiteiro alega que, ainda que quisesse, não poderia custear a reforma até o final. Ficamos sabendo que, dos R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais) em que a obra foi orçada, apenas R$ 38.000 (trinta e oito mil reais) foram efetivamente pagos e que o Estado, há meses, não paga nenhuma parcela nem nunca fiscalizou a obra. Sinceramente ninguém, em sã consciência, pode aceitar que se ponha em risco aquele monumento histórico em vias de tombamento em nível nacional por míseros R$ 43.000,00 (quarenta e três mil reais), por mais séria que possa ser a crise financeira do Estado.
Será bom se pudermos comemorar a retomada da obra emergencial no dia 15 de abril vindouro, data em que a Fábrica de Laticínios das antigas Fazendas Nacionais completa 110 anos de sua inauguração. Será um belo presente para o povo campinense!
Atenção! Nos anos de chumbo, Carlos Drummond de Andrade compôs um poema intitulado “Apelo”, cujos derradeiros versos vão a seguir transcritos:
Meu ilustre Marechal
dirigente da nação,
não deixe, nem de brinquedo,
que prendam Nara Leão!
Ousando, por uma boa causa, parafrasear o vate itabirano, suplico-lhe:
Governador Estado,
desta terra que aconchega,
não deixe, mesmo quebrado,
de custear, até o final,
da Fábrica de Manteiga
a reforma emergencial!
Sertanejamente,
Carlos Rubem Campos Reis