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18/07/2008 - 09:28
Depois daquele abraço!

Joca Oeiras*

“Servimo-nos do presente para informar que há interessa da Petrobras na contratação de patrocínio ao projeto ‘Restauração da Fábrica de Laticínios’”.

Foi dessa forma, simples e direta, que a Gerente de Patrocínios da Petrobras, Sra, Eliane Costa, em ofício datado de 25 de junho de 2008, tomou a iniciativa de informar à presidente da Fundac, Sra. Sonia Terra, que o tão acalentado Sonho de ver restaurada a Fábrica de Laticínios dos Campos está em vias de tornar-se realidade.

Abraçada como foi, há exatos dois anos, pelos campinenses – que, naquele mesmo dia 15 de julho de 2006, diante de um incêndio irrompido em uma das laterais do prédio, chegaram a temer pelo seu perecimento – a Fábrica de Sonhos, energizada por aquele gesto de grande simbolismo e alto espírito de civilidade, veio, de lá para cá, ocupando, mais e mais, os corações e as mentes de personalidades as mais diversas O engenheiro aposentado Paulo de Sá Campos, morador de Olinda-PE, aderiu, de corpo e alma, à Campanha capitaneada pela Fundação Nogueira Tapety-FNT, passando a investigar, por sua própria conta e risco, pistas a respeito do paradeiro do cientista Antonio José de Sampaio tendo promovido pesquisas até na Alemanha e encontrado indícios de que a esposa do cientista sobreviveu muitos anos a ele sendo, inclusive, autora de livros o ultimo deles publicado em 1963. Em novembro de 2006, o professor Marcos Vilhena publicou “Vôo de Ícaro, tensões e drama de um industrial no Sertão” sua dissertação de mestrado transmigrada em empolgante livro onde o autor esmiúça a relação conflituosa entre a modernidade, representada pelo cientista Antonio José de Sampaio, e o pensamento patriarcal e oligárquico hegemônico no Piauí de antanho, o que, segundo ele, explica a derrocada do empreendimento de Sampaio.  O livro de Vilhena chegou às mãos do Deputado Nazareno Fonteles que, da Tribuna da Câmara Federal, pronunciou, em 12 de dezembro de 2006 discurso enfatizando a importância do livro e a relevância da luta pela restauração daquele monumento. O mesmo Deputado, dias mais tarde, enviou um documento ao IPHAN ratificando, em todos os seus termos a nossa proposta de tombamento da Fábrica.

Em 24 de janeiro de 2007, uma caravana de intelectuais, organizada pela FNT, e capitaneada pelos professores Cineas Santos e Fonseca Neto veio a Campinas do Piauí para conhecer “in loco” as ruínas da Fábrica.

Ainda no primeiro trimestre de 2007, o IPHAN produziu, em parceria com a Associação Brasileira dos Documentaristas, seção do Piauí ABD-PI um documentário intitulado “Fábrica de Manteiga e Queijo das Fazendas Nacionais do Piauí, uma história contada por seus trabalhadores”, roteirizado e dirigido pelo historiador da instituição, Ricardo Augusto Pereira.

Em 9 de abril de 2007 a FNT, o IPHAN e a Fundac organizaram, em Campinas do Piauí, as comemorações pelos 110 anos decorridos desde a inauguração da Fábrica e  os 150 anos do nascimento do cientista-empresário Antonio José Sampaio. Neste mesmo dia, na tribuna do Senado Federal, em Brasília, o Senador João Vicente Claudino pronunciou um discurso em favor da restauração da Fábrica de Laticínios dos Campos. Dias antes, em 29 de março de 2007, o Senador já havia enviado ofícios à Petrobrás, Fundação Banco do Brasil, Fundação Roberto Marinho e Companhia Vale do Rio Doce, solicitando a estas empresas e fundações a alocação de recursos para a restauração da onírica Fábrica.

Teria ainda muita coisa para contar, não tenham dúvidas! Foi uma intensa Campanha. Envolveu pessoas, como o fotógrafo André Pessoa, que apenas por amizade e solidariedade para com nosso entusiasmo, se dispôs a realizar um ensaio fotográfico cujo resultado ficou tão belo plasticamente que até nos faz esquecer que aquele é um edifício em ruínas.  Não se trata aqui, no entanto, de fazer um relatório** circunstanciado.  

Essas lembranças, esse olhar para trás serve para nos fazer  enxergar o caminho até aqui, pois este é  um momento especial, particularmente gratificante para quem, como nós, palmilhou cada centímetro do percurso.

Hoje ficamos sabendo que há uma firma, a Petrobras, disposta a bancar a restauração da Fábrica de Sonhos, isto é, ficamos sabendo que tem realidade o sonho acalentado por nós, e nos lembramos da carta-dossiê redigida pelo presidente da FNT Carlos Rubem Campos Reis que foi enviada, em 12 de março de 2007, à arquiteta Jurema Machado, consultora da Unesco e  membro do Conselho permanente da programa Petrobras Cultural. Nesta carta, falando em nome da entidade, Carlos Rubem afiançava que o que pretendíamos era dar “uma mostra da importância desse verdadeiro ícone sertanejo, não apenas para a população local, mas para o Estado do Piauí e para a Nação Brasileira e, ao mesmo tempo, demonstrar o esforço que temos feito para convencer a todos do quanto é importante a sua restauração”. Lembramos, também, que, na época, ficamos pesarosos pelo fato de não termos recebido uma resposta.

A resposta da Petrobras, seja a esta carta à sua Conselheira Permanente, seja ao ofício enviado, como já relatamos, pelo Senador João Vicente Claudino em 29 daquele mesmo mês de março de 2007, veio agora em forma das claras e objetivas palavras que foram transcritas no início desse artigo.

O dia 15 de julho de 2006, data em que o povo de Campinas do Piauí organizou-se para debelar o fogo que ameaçava se alastrar por todo o prédio e para reafirmar, com um tão carinhoso gesto, sua vontade de ver restaurado o prédio que abrigou a célula-mater  do município, deve permanecer na memória dos campinenses como um divisor de águas: a historia da cidade pode, muito bem, ser contada antes ...e Depois Daquele Abraço.

**Nota: Um balanço mais pormenorizado, embora não completo, da Campanha pela restauração da Fábrica de Sonhos´pode ser encontrado no artigo intitulado “Fábrica de Laticínios dos Campos:110 anos”


*Joca Oeiras é assessor de imprensa da FNT





As fotos de André Pessoa são verdadeiras pinturas




Teve bolo, exibição do documentário sobre a Fábrica produzido pelo IPHAN , discursos e, até, música ao vivo, nas comemorações dos 110 anos de inauguração da Fábrica/150 anos do nascimento do Dr Sampaio




De cima para baixo e da esquerda para a direita: Jurema Machado, Fonseca Neto, Cineas Santos e Sonia Terra, na última fila; Carlos Rubem, Eliane Costa, Marcos Vilhena e Paulo Sá Campos na intermediária e Nazareno Fonteles, Senador João Vicente Claudino e o fotografo André Pessoa na frente

5 comentários
 
Querido Joca Eu nao me esqueci do depoimento, so estou tentando encontrar um tempo pra poder escrever algo que \\\"really\\\" vale a pena. Eh que ando muito ocupada: estudo, trabalho, casa, duas filhas, um marido, um cachorro... eh muita coisa pra tomar conta. Mas vou escrever meu depoimento com toda certeza. Eh, aqui eh verao. Tem dias que o calor me lembra Teresina. So as pessoas que continuam frias como o inverno de Nebraska. Fazer o que? Nao sei se ja te disse, mas o Meio Norte mantem todas as edicoes do jornal num arquivo. Se tu quiseres adquirir edicoes antigas eh completamente possivel faze-lo. Acho que seria uma boa ideia ter todas as materias que ja foram publicadas sobre A Fabrica acessivel ao publico. Tenho que te pedir desculpa pelo meu portugues \\\"chifrin\\\". Eh que nos ultimos anos quase nao falo mais portugues ( a nao sei quando ligo pra minha familia no Brasil) e os livros que tenho lido sao todos em ingles. Tento falar portugues com minha filha de 6 anos, mas ela, como toda crianca, prefere o caminnho mais facil: falar a lingua que ela dominha porque assim ela nao precisa fazer nenhum esforco. Leio em portugues qaundo estou na Net, fora isso so leio em ingles. Isso dito, eh facil entender porque tenho alguns problemas quando tenho que escrever palavars com s, ss, x, z. Concordancia tambem esta se tornando um problema. Nao eh frescura, pelo contrario. Tenho tanto orgulho de ser brasileira e falar portugues que sinto vergonha quando lembro que isso esta acontecendo comigo, mas nao tenho podido evitar. Vou pedir minha irma pra mandar alguns dos livros que deixei no Brasil pra tentat resolver esse probleminha. Depois a gente conversa mais Beijos, Lene Ring
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Lene Souza Valença Ring em 18/07/2008 - 17:04
Joca, li seu texto, irretocável como sempre, mas devo alertá-lo de que, no processo de internacionalização da empresa, o nome Petrobras perdeu o acento, por questões de marketing e estratégia, para facilitar a grafia da marca em outras línguas. Como ainda está em edição, há tempo de corrigi-lo; portanto, acho que não estou sendo impertinente, né? Abraços. Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 21/7/2008 11:27 :
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Nivaldo Lemos em 21/07/2008 - 16:38
Também estou exultando com a notícia da restauração da Fábrica dos Sonhos. Mais que um motivo para comemorar, trata-se de um motivo para se acreditar que vale a pena lutar por aquilo que acreditamos. Ou seja: vale a pena lutar pelos nossos sonhos. Lembrando que \"sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade\". Um abraço! Gutemberg Rocha
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Gutemberg Rocha em 26/07/2008 - 09:54
Prezado Bill,para sorte nossa,seus leitores,vc não obedeceu a D.Amália,com o que nos teria privado de ler essa \"crônica\" deliciosa de costumes.Descubra outras cartas,testemunho de uma época.Um grande abraço, Francisca Maria de Carvalho
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francisca maria de carvalho em 30/07/2008 - 22:02
Morava na cidade de Santo inácio e conheci essa fábrica quando ainda "guri" e passando por Campinas, à época uma pequena cidade, me deparei com um monumento curioso e gigantesco. Perguntei a meu pai o que teria sido, ou o que era, aquele enorme prédio. ele me respondeu que havia sido uma grande fábrica de laticínios. A resposta me impressionou. Como poderia haver aquela enorme fábrica de laticínios numa região, e isso eu bem sei, tão assolada pela seca? Mas houvera. E funcionara. E cumprira seus objetivos. É com alegria e saudosismo que recebo esa notícia e torço, firmemente, para que obtenham sucesso nessa empreitada. Obrigado por me fazerem relembrar parte da minha infância!
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OTTO em 20/08/2008 - 09:56
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