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Entrevista com Divaneide Maria de Carvalho
Portal do Sertão - Professora, tradutora, esposa do maior escritor piauiense vivo e agora, editora, em sociedade com o marido e com o também escritor piauiense Assis Brasil. Conte como e quando surgiu a idéia da Editora Renoir.
Divaneide Maria Uma retificação. O escritor Assis Brasil é integrante da equipe editorial da Renoir, o que é motivo de orgulho para nós. Ele nos presta consultoria e exerce a função de supervisor editorial, mas não é nosso sócio.
A ideia de fundar a Editora Renoir surgiu quando a edição do livro Rio Subterrâneo ficou esgotada. Professores e estudantes de Letras perguntavam pelo livro, não sabiam onde encontrá-lo. Então, resolvemos criar a Renoir Editora. Uma verdadeira odisséia, do registro da editora ao registro de um livro na 14ª edição (Ulisses entre o amor e a morte).
Portal do Sertão Ouvi críticas ao nome da editora, ou bem no sentido de que seria um pretensioso eurocentrismo ou bem uma espécie de deserção aos valores da brasilidade tão caros à literatura brasileira desde a Semana da Arte Moderna. O que o nome “Editora Renoir” pretende denotar?
Divaneide Maria Considero precipitada a atribuição de rótulos com base no superficialismo. É fácil emitir julgamentos de forma simplista, mas é preciso cautela para não adotar uma postura discriminatória, totalmente incompatível com o mundo atual.
É imprescindível nos adaptarmos às transformações mundiais. Hoje, nossa realidade é um mundo globalizado. É incontestável que nosso país e nossa cultura são extraordinários, mas não somos o centro do mundo, também não somos uma ilha. Assim, o xenofobismo (aversão ao povo e à cultura estrangeira) não tem mais sentido nos dias atuais.
Enfim, a Renoir pretende denotar esse espírito de integralidade. Vamos editar obras não só em língua portuguesa, mas também em outros idiomas europeus. Pretendemos publicar livros sobre Arte, Estética, História, Ensaio e Literatura. O nome da editora tem a pretensão de abranger essa diversidade, essa globalidade.
Portal do Sertão Quatro livros publicados: as três novelas do O.G. e um, inédito, de Assis Brasil. Agora, ao que soube, vocês pretendem editar Mário Faustino. Você acha que é possível manter uma editora publicando apenas autores piauienses? Lembro que, em discussão polêmica, anos atrás, O.G. negou a existência de uma Literatura Piauiense. De lá para cá, terá mudado alguma coisa ou...?
Divaneide Maria - Acho que já respondemos a essa pergunta na questão supracitada... Não somente Mário Faustino será reeditado, mas Assis Brasil, H. Dobal (tradução) e Machado de Assis.
Quanto à existência ou não de uma literatura piauiense ou brasileira, o que O.G. afirmou naquela época não foi compreendido por alguns professores de Letras. A referência a autores regionais — o que demarcaria uma literatura regional — restringe-se a sua linguagem e não ao seu alcance de dimensão nacional ou universal. Não podemos ter medo dessas coisas. Existe uma literatura de caráter universal no Piauí.
Quanto ao termo literatura piauiense, hoje, os próprios professores universitários utilizam uma expressão mais adequada, ou seja, literatura brasileira de expressão piauiense. O que ocorreu, na época, foi um problema de hermenêutica, mas eu entendi perfeitamente o que O.G. quis expressar.
Portal do Sertão Nos quatro livros publicados, as capas são de responsabilidade do grande artista plástico Gabriel Arcanjo. Coincidência, ou vocês pretendem manter um padrão de estilo nas capas, isto é, o Gabriel é o capista oficial da Editora Renoir?
Divaneide Maria - Não. O Gabriel é um dos grandes talentos de nossas artes plásticas, mas a Editora Renoir não tem capista oficial. O livro Os que bebem como os cães, por exemplo, sairá com capa de Antônio Amaral.
Portal do Sertão Sabe-se que o grande gargalo que leva, muitas vezes, as editoras a encerrarem suas atividades é a distribuição. Como foi pensado o esquema de distribuição dos livros da Renoir?
Divaneide Maria Pensamos, também, nessa questão. Assim, já nos articulamos com pessoas com larga experiência nesta área. Conseguimos também nos associar à CBL (Câmara Brasileira do Livro) que tem mais de 50 anos de atuação no mercado editorial e nos representará em eventos nacionais e internacionais.
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