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A FNT enviou o ofício circular nº 2/06 datado de 7 de agosto de 2006 (veja aqui!) a todos os oito candidatos ao Governo do Estado. O ofício é também um convite para um debate, em Oeiras, com regras pré-estabelecidas, de forma eqüitativa e tratamento isonômico, sobre políticas públicas para cultura em nível estadual . Todos os candidatos já receberam o documento: os avisos de recebimento do ofício/convite (dos Correios) já se encontram em nosso poder. Mas, fora isto, até agora, nenhuma resposta por parte de quaisquer deles.
Este fato lamentável, que demonstra um descompromisso generalizado dos postulantes ao poder estadual assume ainda maior gravidade quando se sabe que, como alternativa ao debate de idéias, a FNT abriu, no convite, a possibilidade de publicar, no “Portal do Sertão” os planos de cada um dos candidatos para implementação de uma política para a Cultura Piauiense. Também estes planos – se é que existem – não nos foram disponibilizados.
Por ser generalizado, pouco importando o matiz político-ideológico, o descaso com a cultura do nosso povo, isto, ao contrário do que se possa pensar, em nada ameniza. Ao contrário, dramatiza o grave desvio de viés que faz os nossos políticos preferirem a ofensa pessoal a seus adversários a oferecerem propostas de soluções para os problemas do Estado.
Ao propor-se a promover um debate em Oeiras, a FNT deve parecer a muitos como um quixotesco pregador no deserto: “– Onde estão com a cabeça? Um debate sobre Cultura e, ainda por cima, em Oeiras?”
Mas não deveria ser assim!
Quantas instituições culturais existem por este Piauí afora, a começar pelas Universidades, Estadual e Federal, o Conselho Estadual de Cultura que, é bom lembrar, é um órgão que tem autonomia para isto, instituições privadas de Ensino Superior, academias de letras, principalmente a Academia Piauiense de Letras, e outras centenas de entidades de escopo cultural, tem legitimidade para suscitar debates sobre cultura, inclusive sob diferentes ângulos. Mais que legitimidade devem (ou deveriam) ter interesse em saber o que pensa cada postulante ao cargo de governador sobre um tema que é, muitas vezes, a própria razão de ser da entidade. Abdicando de fazê-lo, acabam legitimando a postura assumida pelos candidatos de total e completo descompromisso com as políticas públicas voltadas para a cultura. Uma lástima!
Sertanejamente
Carlos Rubem
Presidente da FNT
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