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Em meio aos meus afazeres profissionais no Ministério Público Estadual e às minhas atribuições na presidência da Fundação Nogueira Tapety - FNT, recebi do meu amigo José Mendes de Sousa Moura, o Dedim, como é mais conhecido, a incumbência de apresentar seu mais novo livro intitulado “Isaias Coelho, o Esculápio do Sertão” quando de seu lançamento em Simplício Mendes. Prazerosa incumbência, diga-se desde logo, não só pelo honroso convite do meu prezado amigo mas, principalmente, por se tratar de uma biografia do Dr. Isaias Coelho, pessoa que aprendi, desde pequeno, a admirar e respeitar observando o carinho que à sua memória devotavam os mais velhos, em especial o meu padrinho Dr. José Expedito Rego, também médico, falecido, que me deixou profundas saudades. Mais tarde, já adulto, ajudei a cultuar-lhe a memória.
Desincumbi-me dela no último sábado, dia 5 de agosto de 2006, defronte à estátua erigida em homenagem ao famigerado médico na praça que leva o nome de Praça Dr.Isaias Coelho, em Simplício Mendes. Fazia-me acompanhar do amigo Eli Bezerra e da minha querida prima Josevita Tapety, que encarregou-se de fotografar o evento.
A morte do Dr Isaias Coelho, ao diverso do autor do livro, que ainda se lembra daquele infausto dia 21 de janeiro de 1960, não me causou nenhuma impressão pois eu tinha pouco mais de um ano de idade quando ela ocorreu. Pouco mais de 30 anos depois, no entanto, em data, ao contrário da outra, bastante festiva, o centenário de seu nascimento, coube-me a honra de declamar, em sua homenagem, um soneto, que acho lindo, do Dr. José Expedito Rego, a seguir transcrito: “Esse que vês, em bronze esculturado / Na praça principal desta cidade / De ledas, vivas flores rodeado / Qual sombra triste em meio à claridade / Trazendo no semblante fatigado / Fundas rugas de dor e de ansiedade / E no comprido lábio desolado / Um travo de desgosto e soledade / Não foi poeta, nem se fez famoso / Na política, nem também se diga / Que nasceu nobre, que foi poderoso! / Está todo o seu mérito no amor / Com que se deu a sua gente amiga / Na luta ingente de sanar a dor...”
Na primeira vez que vi aquela estátua eu tinha, então, quase 10 (dez) anos e, neste período, muito já tinha ouvido falar, nas rodas familiares de Oeiras, sobre o nosso “Esculápio do Sertão”. Tanto que achei que a sua maleta, reproduzida em bronze, era pequena demais, desproporcional em relação à grandeza do homenageado. Nas últimas décadas, trabalhando em Simplício Mendes, onde exerço minhas funções ministeriais, muitíssimas foram as estórias que ouvi contar – o povo simples – a respeito do fabuloso médico.
Está de parabéns o meu amigo Dedim que demonstra uma grande sensibilidade, desde a escolha do tema até a arquitetura do livro, recheado de material iconográfico de auto-evidente relevância, e de páginas em que conta, com uma pitada de ficção que, como o sal, usado na medida certa, tempera o relato da vida do Dr. Isaias.
É verdade: o livro nos oferece páginas de leitura deliciosa, ainda que triste, às vezes, como a história do seu noivado desfeito em função de uma parturiente em risco de vida e do seu retorno à casa da ex-noiva, agora casada com outro homem, para fazer-lhe o parto.
Mas não foi só a apresentação que fiz do livro a única fonte da minha satisfação. Os amigos que revi, o clima emocional e emocionado que se criou, a professora Sandra Araújo de Carvalho declamando o soneto acima, como eu o fizera, dezesseis anos atrás; os discursos que se sucederam, a salientar-se o do prefeito, José de Sousa Lopes, muito aplaudido quando comprometeu-se publicamente a criar, no antigo consultório do velho discípulo de Hipócrates o “Memorial Dr. Isaias Coelho”, reivindicação que renovei na minha falação e que venho fazendo desde as comemorações do centenário do nascimento do “Esculápio do Sertão”. Não menos prazeroso foi ouvir o “Sexteto Maresia” – malgrado o nome – prata de casa, que se apresentou ao final tocando, com muita competência um vasto repertório que incluía bossa nova, mpb e jazz entre outros gêneros musicais, fechando com chave de ouro aquela inesquecível noite sertaneja.
Carlos Rubem
Presidente da FNT
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