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Em meio às felicitações pelo retumbante sucesso do lançamento do “Portal do Sertão”, dos inumeráveis elogios à forma e ao conteúdo do nosso sítio virtual, começamos a ouvir, ainda baixinho, aqui e ali, pessoas quase que “pensando alto”: – Tudo muito bom, tudo muito bem mas...e agora, o que a FNT vai fazer?
A “cobrança”, ainda encabulada, tem toda a razão de existir: afinal, não criamos a FNT apenas para receber elogios e palavras de incentivo que, é claro, nos aquecem o coração e revigoram o espírito. Tudo isto deve servir para que procuremos fazer mais e melhor.
O nosso projeto piloto, o sonho tão acalentado de erigir, na Casa-de-Fazenda Canela, um “Memorial do Sertão”, demanda paciência e não se fará da noite para o dia, embora nunca o percamos de vista. O “Portal do Sertão” em si mesmo, por mais rico que seja seu conteúdo e mais bela a sua forma, deve ser UM INSTRUMENTO da FNT e não ao contrário. Então a pergunta é pertinente: O que a FNT vai fazer agora?
Estivemos, dias atrás, eu e o Joca Oeiras, na Fundação Cultural do Piauí, Fundac. Fomos lá para saber como estava caminhando o processo de tombamento da Casa-de-Fazenda Canela e ficamos sabendo que, aprovado por unanimidade pelo Conselho Estadual de Cultura, o processo seria, naquele dia, encaminhado ao Palácio Karnak para assinatura do governador. Um dos integrantes do Conselho, Severino Santos, é assessor da Fundac. Resolvemos procurá-lo para agradecer o seu voto favorável, como todos os demais, ao tombamento. Durante a conversa o Joca Oeiras lembrou de perguntar ao Severino, que também é responsável por isto, a quantas andava a questão da restauração do prédio que abrigou a Fábrica de Laticínios dos Campos*, hoje situada no município de Campinas do Piauí, e que no passado era parte do território de Oeiras. Foi quando ficamos sabendo que a restauração dependia de encontrar-se um pessoa física ou jurídica disposta a financiá-la e que, até aquela data, não havia qualquer perspectiva de que isso viesse a ocorrer. Pior, há um prazo (dez/2006) extremamente exíguo para que o mecenato se concretize.
Meu envolvimento pessoal com a luta pela restauração da Fábrica de Laticínios não começou ontem. Em 1997, participei das comemorações pelos cem anos de inauguração da fábrica. Escrevi sobre a Fábrica na Revista do Instituto Histórico de Oeiras n° 15 e instiguei meu padrinho, o médico e escritor José Expedito Rêgo, de saudosa memória, ele que chegou a sentir o gosto da manteiga dos campos, a fazer o mesmo naquela publicação. Foi por meu intermédio, também, que o tablóide “O Estado do Piauí, o mais charmoso do Brasil”, editado pelo meu amigo Joca Oeiras, pôde desenvolver uma bela reportagem sobre a fábrica. Enfim, não criamos a FNT para lutar pela restauração do maior ícone da inserção do Piauí na História da Indústria Brasileira, mas tem tudo a ver comigo e com a FNT, a batalha que hora iniciamos, com o intuito de obter que a almejada restauração se torne realidade.
É assim, amigos, que orgulhosamente anuncio o lançamento da “Campanha pela Restauração” do prédio da FÁBRICA DOS SONHOS do DR SAMPAIO. É a FNT, mais uma vez, mostrando a que veio!
Carlos Rubem
Presidente da FNT
*A fascinante história da implantação da Fábrica dos Laticínios e de sua melancólica derrocada remonta o ano de 1897 quando foi inaugurada (veja extensa matéria sobre o tema no nosso portal).
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