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Acabo de retornar, mais uma vez, emocionado, do 8º Festival de Inverno de Pedro II. Deixando de lado o frio, que alguns alardeiam, outros denunciam como farsa, e ainda outros, de tanto o desejarem, chegam a sentir, já está ficando monótono externar a opinião segundo a qual, a cada nova edição, aquele festival se consolida como um dos mais importantes eventos culturais do Piauí. Edson Cordeiro, Nando Reis e Vanessa da Mata, talvez as maiores atrações em 2011, se, por algum motivo, não pudessem ter vindo, ainda assim em nada ou quase nada ficaria ofuscado o brilhantismo, pois o evento já é, em si mesmo, a sua maior atração. Desde hoje as pessoas estão se programando para o próximo Festival, sem que se possa ter a mais pálida idéia da sua programação.
E olhe que a programação deste ano, mesmo incluindo a não programada, mas, demais repercutida, vaia ao governador Wilson Martins, não deixou, nem um pouco, a desejar. Até a chuva torrencial que se abateu sobre a Praça do Bonelle durante o show da carismática Vanessa da Mata foi tirada de letra pelos milhares de expectadores presentes ao evento. Um show à parte quem deu foi a humorista piauiense Dadá Coelho que, com uma equipe da Rede Globo, veio a Pedro II gravar um quadro que deverá ser exibido mês que vem no “Fantástico”. O suposto frio desta cidade serrana foi o mote escolhido por ela. Vai dar muito o que falar!
Tive a oportunidade – guiado pelas mãos do Secretário Estadual de Turismo, Sílvio Leite – de conhecer dois grandes artistas pedrosegundenses, João Batista e Araújo, que mídia regional teima em deixá-los de lado. O primeiro é muito conhecido na Itália e outros países europeus. Possui um amplo ateliê naquela urbe. O outro, escultor de mão cheia, fez de sua casa simples seu lugar de trabalho. Tem obras espalhadas por este Brasil afora e mesmo internacionalmente. O Sílvio me presenteou uma linda tela do festejado pintor João Batista, ora agregada ao patrimônio da FNT.
Em Pedro II fui, várias vezes, questionado acerca do Festival de Cultura de Oeiras cuja 7ª edição deverá ocorrer este ano, já que não aconteceu em 2010. Esses questionamentos demonstram, se ainda fosse preciso demonstrar, minha profunda identificação não apenas com a Primeira Capital, mas também com sua Cultura e me deixam a cavaleiro para expender as minhas opiniões a respeito.
Todos temos saudades dos nossos Festivais e, creio, não cabe, neste momento, fazer um balanço dos erros e acertos do passado, nem, tão pouco, apontar qual deles foi o melhor. Houve, no entanto, um, que foi o pior de todos: aquele que deixou de haver em 2010. Por isso todos os que queremos garantir a continuidade do Festival de Cultura de Oeiras necessitamos superar toda e qualquer divergência de ordem pessoal e, mesmo, político-partidária – é oportuno lembrar que, em Oeiras, sua terra natal, o governador jamais seria vaiado – e cerrar fileiras junto aos parceiros-organizadores do festcult para que, desde já, sem qualquer perda de tempo, comecemos a discutir o nosso ansiado evento.
Neste ano, já podemos contar com o novo espaço cultural – devida e finalmente restaurado – o Cine-Teatro Oeiras, que precisa ser valorizado e ter uma utilização condigna. Por isso acredito que um dos eixos centrais da programação do festival deva ser a arte cênica e, mesmo, a cinematografia. Penso não apenas em espetáculos teatrais, mas também em workshops, oficinas sobre dramaturgia e a 7ª arte. Nomes de peso da literatura nacional, a exemplo de Ariano Suassuna que prestigiou a primeira edição do nosso festucult, não poderão faltar. Temos muito a produzir e consumir cultura. Um investimento!
Carlos Rubem Campos Reis
Presidente da FNT







 Carlos Rubem e a humorista Dadá Coelho







 Ariano Suassuna no 1º Festival de Cultura de Oeiras (2004)
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