No “Solar das 12 Janelas”, há poucos dias, conversei com a Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Carla Martins, o que muito me alegrou. Fiquei sabendo – e isto não é, nem poderia ser, nenhuma confidência – que o grande homenageado no VI Festival de Cultura de Oeiras será escritor e médico José Expedito Rego, meu padrinho e de quem, de há muito, sou um admirador confesso, fã de carteirinha, como dizem.
A Carla disse até mais que isso: disse que a PMO batizou o ano em curso, aqui em Oeiras, de Ano José Expedito Rêgo, o que é muito bom, mas aumenta, bastante, a responsabilidade dos gestores públicos no sentido de fazerem com que isto não se restrinja a proclamadas intenções, mas se efetive de tal forma que a comunidade em geral , e a estudantil, em particular, se aproprie desta generosa idéia.
De nossa parte, não é de hoje que desejo realçar a memória do autor de “Malhadinha”. Em 2007, quando da abertura do apoteótico IV Festival de Cultura de Oeiras, subi ao palco para propor que o JER fosse homenageado no 5º Festcult. Durante o ano de 2008 – primeiramente ocupada com a perspectiva da ordenação de Dom Juarez Souza da Silva e, logo em seguida, com uma acirradíssima campanha eleitoral, além de outras razões – não foi possível à cidade prestar a devida louvação. Em 24 de junho de 2008, eu ainda acreditava que fosse viável dedicar-lhe tal encômio, tanto que escrevi uma carta ao seu filho Gustavo, publicada, aliás, no “Portal do Sertão”. Um dos parágrafos desta carta serve, como uma luva, para explicitar os objetivos que, a meu ver, devem ser perseguidos no “Ano JER”.
“Penso que, no segundo semestre deste ano, devemos nos dirigir aos professores de todas as escolas de Oeiras no sentido de que façam com que os alunos se voltem para o estudo de textos do JER, trabalhos, pesquisas e tudo o mais que possa fazer presente a vida e a obra deste grande escritor e humanista oeirense.”
Para que isto ocorra, no entanto, será preciso o decisivo concurso da Secretaria de Educação do Município, bem como organizar uma campanha publicitária – com cartazes, selo comemorativo, inserções no rádio e TV, jornais, etc. – que faça com que se mobilize boa parte da sociedade oeirense, com repercussão em nível regional, inclusive na Academia Piauiense de Letras, da qual ele era membro. Aí sim, teremos um...
FELIZ ANO JER!
 Síntese biográfica José Expedito de Carvalho Rêgo nasceu na madrugada de 1° de junho de 1928, numa casa da Rua do Fogo, em Oeiras, Estado do Piauí. Era filho de Assuero César Rêgo e Carmen de Carvalho Reis. Faleceu no dia 31 de março de 2000, em Floriano. Formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia, a 16 de dezembro de 1953. Exerceu a profissão de médico em sua cidade natal, de 1954 a 1977. A partir de então, passou a medicar na “Princesa do Sul”. Em 1971, ainda em Oeiras, com a ajuda de Possidônio Queiroz e Costa Machado, criou o jornal “O Cometa”, que circulou, mensalmente, até 1976. Nesse jornal publicou editoriais, crônicas diversas, poemas e as “Estórias do Tempo Antigo”, reunidas e publicadas em pequeno livro, em 1995. Neste mesmo ano, veio a lume “Os Caminhos da Loucura”. A partir de 1977, colaborou no “Jornal de Floriano”, escrevendo crônicas, semanalmente, durante cerca de dez anos, versando quase todas sobre assuntos de medicina. Em 1981, publicou seu primeiro livro, “Né de Sousa”, biografia romanceada do Visconde da Parnaíba. Esse livro teve uma segunda edição, sob o titulo de “Vaqueiro e Visconde”. Em 1990, lançou “Malhadinha”, talvez sua melhor obra. “Vidas em Contraste” veio em 1992 e ganhou o prêmio Wady Moises Said, para o melhor romance do ano, patrocinado pela Academia Piauiense de Letras e Loja Maçônica “Raul Serrano”. No dia 5 de março de 1993, tomou posse na cadeira n° 2 da academia Piauiense de Letras. “Horas sem Tempo”, livro de poemas, lançado em 1999.
 HINO DE OEIRAS Letra: José Expedito de Carvalho Rêgo Música: Dionísio Rosa Reis Depois de vagar nos mais rudes labores Mafrense estacou
Da terra entre morros tomado de amores Aqui se plantou CORO: OEIRAS INVICTA TU SEMPRE SERÁS Ó TERRA BENDITA DE AMOR E DE PAZ Do Mocha a corrente a mirar cristalina Nasceste feliz Ali do Rosário na doce colina Que a lenda nos diz Agora cresceste do morro do Leme Ao morro da Cruz Levantas a fronte de quem nada teme Nos dias de luz Tu foste sem dúvida o berço fadado
Do teu Piauí E as glórias maiores dos tempos passados
colhemos aqui Também no futuro nós cremos Oeiras coberta de louros, serás por teus filhos malgradas canseiras da sorte e desdouros.
 Oeiras da minha infância José Expedito Rêgo Oeiras... Doces sonhos do passado... Sombras distantes de um viver feliz... Um hino de saúde... Um tênue brado... Um quadro, ao longe, em pálido matiz: O Mocha a soluçar sobre os lajedos as alvas margens que o luar prateia; crianças nuas a fazer com os dedos
frágeis castelos na alvacenta areia... O Leme altivo, na planície erguido, em cuja gruta cavernosa dorme o tesouro fantástico escondido com a serpente que o guarda, hedionda, enorme... O “Pé de Deus” e o “Pé do Cão”... A igreja do Rosário tão rústica e singela... Casa da Pólvora... Além mais branqueja a casa da fazenda do Canela... O Largo da Matriz. O beco escuro do “Sobrado” onde, à noite, às horas mortas, eu passava a tremer, muito seguro de que via alma brancas pelas portas... Tempos de outrora, sempre repassados na lembrança, felizes na saudade, belos pela inocência e virgindade, e inda mais belos por são passados.
 O que sou eu - José Expedito Rêgo - Fisicamente sou feio, tristonho rosto sisudo, o que é talvez um escudo do meu espírito cheio de ansiedade e receio contra o mundo e contra tudo que me faz transido e mudo, da vida parado em meio. Faltam-me fé e esperança, a dúvida me atormenta, minha mente não alcança - apesar de estar atenta - saber que sou eu... Balança meu ser em grande tormenta! (Foriano, 7.11.94).
 Os Maniqueístas José Expedito Rêgo Maniqueísta não é nome feio, “prá lá de fie duma égua”, como poderia pensar o velho amigo Olavo Nunes. Para quem não sabia, significa adepto do Maniqueísmo, doutrina filosófica criada pelo persa Mani, no século III, que deu origem a uma religião propagada aos três continentes do velho mundo. Segundo esta crença, o universo é dominado por duas forças antagônicas e irredutíveis, o Bem e o Mal. Naturalmente, esse pensar antagonista caiu em desuso, mesmo porque o conceito de Bem e de Mal é relativo. O que é bom para alguns é ruim para outros. O Papa João Paulo II considera o ato sexual um pecado, útil apenas para a procriação, deve ser praticado com seriedade e respeito, jamais buscando o mero prazer. Para o grande romancista Jorge Amado, esse ato é natural e convém ser executado com liberdade total e gostosura, segundo podemos depreender de seus admiráveis romances. Apesar de tudo, o Maniqueímo é praticado ainda em nossos dias, no campo da política, principalmente em cidade pequenas. Em Oeiras, ele sempre existiu, desde os tempos mais remotos. O Visconde da Parnaíba, por exemplo, era um Deus para seus amigos e acólitos. Para os inimigos não passava de um demônio perverso. Mais recentemente, as figuras de Augusto Rocha Neto e Orlando Barbosa de Carvalho serviram de protagonistas a esse costume maniqueu. Os amigos de Rocha Neto consideravam-no a própria divindade, tudo que ele faia era bom. Ao contrário, Orlando Carvalho equivalia ao bem para seus correligionários e Rochinha, o Belzebu de seus rivais. As coisas continuam pelos anos agora e até em nossos dias existe gente radical, fanática, para quem adversário político corresponde a inimigo particular. Esses indivíduos de mentalidade estreita e mesquinha não admitem que o cidadão de destaque de um facção política possa se relacionar amigavelmente com outro pertencente ao partido contrário. Esse procedimento atrasado de certas pessoas de Oeiras é talvez uma das causas de seu difícil progresso. Não há razão para tanta intolerância, às vésperas de século XXI. Vamos mudar esse aspecto retrógado de nosso modo de ser. (Inserto do “Jornal de Oeiras” – Ano VI – nº 41 – Janeiro/94)
 Durante o primeiro Governo do Dr. Alberto Tavares Silva, Oeiras teve o privilégio de voltar a ser a Capital do Piauí, nos dias 13 e 14 de setembro de 1971. A redação de "O Cometa" visitou e entrevistou o governador. Na foto vemos Sua ExceLência em frente ao Dr. Costa Machado, Possidônio queiroz e José Expedito Rego. Encontrava-se presente o então Deputado Estadual Walmor Carvalho.
 HINO À MATRIZ DE OEIRAS NOS SEUS 250 ANOS DE FÉ Letra: José Expedito de Carvalho Rêgo Música: Possidônio Nunes de Queiroz Foi aqui em redor do teu vulto Que a cidade surgiu e cresceu. Velha igreja terás nosso culto De ternura e de amor sempre teu! (bis) CORO: VELHA MATRIZ AMADA CATEDRAL QUERO-TE SEMPRE VIVA SÊ NOSSO FANAL. (bis) Nesta pia tiveram batismo Nossos pais, nossos filhos e avós Nossa vida respira otimismo Quando a sombra de ti somos nós. (bis) Essas grossas paredes nos contam De outros dias de glória e de amor E também as tristezas repontam Nas lembranças das horas de dor. (bis) Os teus sinos repicam festivos Ora dobram finados e calam Mas não há neste mundo dos vivos Som mais doce... tens sinos que falam! (bis) Neste dia de amor venerando Velho templo, nossa alma de damos Viverás para sempre enfeitando A paisagem da terra que amamos. (bis)
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